quinta-feira, 15 de maio de 2014

Orquestra Girassol – Walkin’ / Stolen Moments (Edição de Autor, 1978)

sacar

01. Walkin’
02. Stolen Moments

Tomás Pimentel – trompete
Laurent Filipe – trompete
Gabriel Évora – trompete
José Serro – trombone
Helder Ferreira – trombone
Luis Caldeira – sax alto, flauta
Carlos Bechegas – sax alto
Manuel Garcia – sax tenor, sax soprano
Mário Gramaço – sax tenor
Ana Paula – voz
Armindo Neves – guitarra
Urbano Oliveira – bateria
José Eduardo – contrabaixo

arranjos e direcção de orquestra – José Eduardo


Sim, eu sei que não percebo quase nada de jazz, mas basta passar os olhos pela lista de músicos que tocavam na Orquestra Girassol para perceber que isto não é um disco qualquer: tem Tomás Pimentel, que comandou as secções de metais de todos os discos nacionais de jeito que têm secção de metais; tem Laurent Filipe, trompetista já com pra cima de dez álbuns, ainda que demasiado delicodoces para o meu gosto; tem Carlos Bechegas, que mais tarde trocaria o sax pela flauta e partiria à aventura pela improvisão livre mais esquisita; e a mandar naquela gente toda tem o José Eduardo, da Zé Eduardo Unit, grande pedagogo do jazz e mestre supremo das big bands em Portugal. Aposto que os outros elementos também são tipos importantes, mas não conheço e não me apetece googlar para fingir que conheço.
Se é verdade que “Malpertuis”, de Rão Kyao, foi o primeiro disco de jazz de um músico português editado em Portugal, este single da Orquestra Girassol esteve também entre os pioneiros da edição jazzística, embora já apanhe a Orquestra Girassol, fundada por José Eduardo em 1976, quase no fim da sua breve carreira (terminaria em Setembro de 1978) e a editora Tecla – onde o disco deveria ter saído – também com os pés para a cova, de tal forma que, à ultima da hora, se teve de optar por uma edição de autor. Não vou dizer grande coisa sobre a música porque, a bem dizer, se pouco percebo de jazz ainda menos percebo de big bands (até confesso que acho as big bands um bocado caretas e que prefiro o jazz do xinfrim e da maluqueira).
Posto isto, o que impressiona no single da Orquestra Girassol é, para além da reunião de talentos precoces, o voluntarismo do contrabaixista José Eduardo e do baterista Urbano Oliveira, que trataram de quase tudo, desde a direcção musical à mistura, e a aventura inédita de gravar uma big band em estúdio num país onde ninguém sabia ao certo como se gravava uma big band (ou qualquer formação de jazz) em estúdio. Para além disso, e apesar do impulso recente dado pela criação da escola do Hot Club e da meia dúzia de anos que já levava o Cascais Jazz, verter o jazz para disco em Portugal (mesmo dois standards bem conhecidos como Walkin' e Stolen Moments) era, por assim dizer, um investimento a fundo perdido. Mas neste caso o melhor é dar a palavra a quem sabe da poda e ler o excelente artigo sobre a Orquestra Girassol escrito para o blog Jazz no País do Improviso.

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