quinta-feira, 7 de julho de 2011

Poke – Digitalmente Afectivo / Flip-Flop (Transmédia, 1984)



sacar

01. Digitalmente Afectivo
02. Flip-Flop

Ricardo – voz, vocoder, Roland electronic piano, JX-3P, Juno-6, Jupiter-8
Quico – Roland MC-4 microcomposer, Jupiter-8, Jupiter-6, Juno-6, JX-3P, TR-606 drum machine, TR-909 drum machine, Simmons+MC-4, SH-101, SH-2+MC-4, voz

produção –Quico e Nuno Rodrigues

A caixa de correio deste vosso blog tem sido invadida por centenas de emails protestando contra a toada mainstream dos últimos discos e exigindo material altamente refundido. Tentaremos corresponder analisando, em primeiro lugar, este singular fonograma dos Poke, banda que durou pouco mais de um ano e caiu entretanto no esquecimento.
Os Poke eram dois manos, Quico e Ricardo Serrano, que viviam no Porto e amavam a tecnologia de ponta. Para eles, o admirável mundo novo dos anos 80 erguia-se sobre duas pedras basilares: a música electrónica e o ZX Spectrum. Partindo da proximidade emocional que, nessa época, boa parte da juventude tinha com o ZX Spectrum, o lado A reflecte sobre a questão das relações afectivas entre homem e máquina, lamentando a pouco afectividade do computador. O lado B debruça-se sobre questões do foro íntimo dos manos Serrano que, sinceramente, não compreendo bem.
Aparte a dimensão filosófica, o disco surpreende pelo domínio da tecnologia digital e pela manipulação desenvolta de botões (é olhar para a quantidade de equipamento creditado a cada mano), surgindo como um sucedâneo da electrónica pós-funk de sumidades como Herbie Hankock (impossível não recordar Rockit ao ouvir aqueles vocoders) ou os Yellow Magic Orchestra.
Quico e Ricardo extinguiram os Poke pouco depois deste disco, e lançaram-se em colaborações múltiplas no meio portuense, desde os Ban aos Três Tristes Tigres e ao primeiro disco de Pedro Abrunhosa e os Bandemónio, deixando para trás aquele que é, provavelmente, o único disco português ao som do qual se pode dançar breakdance.

4 comentários:

tq disse...

"único" é muito forte! Estou-me a lembrar (apenas nos meandros do hip-hop)de discos como: o "Lusitansos" que usava o rapper's delight como base sonora; do genérico do "Tal Canal"; e deve haver outros. Não sei se sabem que o David Fonseca foi praticante de breakdance.

tq disse...

Não conhecia e fiquei bastante surpreendido com a modernidade que já na altura apresentavam.

carlitos disse...

reparei que não tem Transmédia nas tags. Poderia ser uma editora a explorar para outros nomes pois nem todos estão editados em CD.

SerraSagrada disse...

É sempre assim... quando se mete a mão no baú do material altamente refundido, saem sempre boas surpresas!