segunda-feira, 6 de junho de 2011

Anamar - Almanave (Polygram, 1987)



sacar

01. Canção do Mar
02. Sabe-se Lá
03. Céu da Gente
04. Ana Ai Maria
05. Homem
06. Animal
07. Maçadeiras
08. Tudo Dar

Anamar – voz
Emanuel Ramalho – bateria, percussões, programação rítmica, efeitos especiais
Nuno Rebelo – guitarras eléctrica e acústica
José Tó Aguiar – guitarra baixo
José Casanova – guitarra portuguesa (01.), guitarra acústica (03.)
Paulo Jorge – guitarra portuguesa (02.)
Ziegfried Zung – acordeão (01.)
Vasco Pimentel – sons naturais (08.)

produção
Emanuel Ramalho e Jorge Barata

Ainda hoje não sei ao certo o que é que, nos finais dos anos 80, era tão imperdoável na Anamar aos olhos da crítica bem pensante deste país: seria a postura de mulher fatal numa terra que idolatra virgens ofendidas? A lata de cantar no Coliseu logo depois de gravar o primeiro álbum? As vezes que recusara entrada no Frágil quando era lá porteira? A voz que não estava fadisticamente colocada e afinada nos meios-tons da praxe? Passados estes anos todos, uma coisa parece evidente. A campanha que moveram para acabar com a carreira da Anamar foi um dos pontos culminantes na história da filhadaputice luso-musical do século XX. E o mais desgraçadamente curioso é que as coisas não parecem ter mudado assim tanto. Hoje em dia, os críticos babam-se com a quadragésima nova amália que vem ganir fadunchos de olhos mortiços e tez deslavada, enquanto as gajas que quiseram dar à música a sua própria e singular reviravolta imploram para gravar um disco por década (não, não me estou a referir a Deolindas, Clãs, Gifts e outros trampuns).
Após esta amarga e rabugenta introdução (desculpem mas, escrevendo isto em dia de eleições, não havia como escapar), chega-se ao lado luminoso deste post: sete grandes malhas (descontando a pouco feliz versão do tradicional Maçadeiras), abrindo logo com dois fados devidamente adulterados e vertidos em formato pop, seguindo por composições da própria Anamar e dos restantes músicos que culminam no fantasmagórico Tudo Dar, tudo condimentado com os talentos de Emanuel Ramalho e Nuno Rebelo (que já trabalhara no excelente MX-S Amar por Amar, lançado um ano antes pela Ama Romanta). O produto final ilustra bem a faceta mais memorável da música pop que nessa altura se fazia por cá: caldeirada descomplexada de géneros díspares ou aparentemente contraditórios, com uma pitada bem medida de provocação para dar um refogado onde já não nos lembramos dos ingredientes iniciais mas resfolegamos de júbilo no caldo mutante que esse processo destilou. Está bem que ela canta sem saber cantar como deve ser, que tem o nariz mais empinado do que o costume, que esperneia e esbraceja mais do que estamos habituados; mas caramba, num país de tímidos como este, não será disso que andamos a precisar?

6 comentários:

Eduardo F. disse...

Ah! Em boa hora!!

:)

Obrigado!

Luís disse...

Ufa!!!... Até que enfim alguém se lembra deste disco e da forma injusta como ele foi tratado.

Obrigado amigo

Anónimo disse...

Procurava isto há uns anos valentes. Muito, mas mesmo muito, obrigado!

Anónimo disse...

ADOREI! Obrigado

Anónimo disse...

Excelente! Obrigado.
Marley

edlorado disse...

thank you!