quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Rongwrong - Sombra Veloz (Dansa do Som, 1987)



sacar

01. Sombra Veloz
02. Frenética Paixão
03. O Enforcado

Manuel Leite – baixo
Toni Simões – guitarra
Zé Salgado – guitarra
Berto Borges – bateria
Teota – voz

produção – Zé Nabo

Este é um disco perigoso para quem padece daquela patologia tão disseminada pelos trintões que é a nostalgia dos anos 80. De facto, raras foram as bandas que encarnaram tão perfeitamente a estética vangue como os Rongwrong. Está lá tudo, desde as letras melancólicas e lúgubres às guitarras chorosas do Zé Salgado (o Zé dos Eclipes dos Mão Morta) e à voz torturada da Teota. E, se formos a ver o vídeo da canção-título ao vivo, a coisa ainda bate mais forte. Por isso, tenham lá cuidado e consumam estes ficheiros com moderação.
Para a malta mais nova, fica a pedagogia: nos anos 80, antes de surgirem os góticos (é verdade, houve uma altura em que não existiam góticos), havia os vangues (short for “vanguardistas”) que pensavam em cenas depressivas (tipo destroços, noite, a cor cinzenta, etc.) e curtiam Joy Division. Vestiam-se à mesma de preto mas, ao contrário dos góticos, ainda conservavam alguma dignidade. A música de que os vangues gostavam era, quase sem tirar nem pôr, a música que tocavam os Rongwrong.
E agora o parágrafo técnico: este disco é o prémio para a banda vencedora do 3º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez Vous (1986), ano em que os também bracarenses Mão Morta ganharam o prémio de originalidade. A banda só editaria mais um tema, em 1989, na colectânea À Sombra de Deus, e já sem o Zé dos Eclipses na guitarra. Nos anos 90, os Rongwrong dissolveram-se e parece que só Manuel Leite continuou na música, formando os Humpty Dumpty com Miguel Pedro, dos Mão Morta. A Teota era gira e tinha umas pernas bonitas e roliças. E Sombra Veloz, nos anos 80 e em qualquer altura, é mesmo uma canção do camandro.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Shila – Lenga-Lengas e Segredos (Diapasão, 1979)



sacar

01. Teresinha
02. A Gota da Meadela
03. A Bailarina
04. Pulga
05. A Valsa
06. Sempre Foi Assim
07. Eu Não Tenho a Certeza
08. Ai Eu Quero
09. Cabecinha Fria
10. Todos Me Querem

Shila – voz, cavaquinho, colheres de pau, palmas, pandeireta
Júlio Pereira – viola acústica, viola 6 cordas, bandolim, bombo, cavaquinho, cabaça, adufe, coros
Pedro Caldeira Cabral – guitarra, flauta
José Eduardo – contrabaixo, baixo
Paulo Godinho – baixo
Pedro Osório – acordeão
Rui Cardoso – flauta, saxofone
Raul Mendes – harmónica
Sílvio Pleno – clarinete
António Serafim - oboé
Paleka – bateria
Moreno Pinto - ferrinhos
Sérgio Godinho, Lena Vaz, Guida Silva, Rui Vaz – coros

direcção musical – Júlio Pereira
som – Rui Novais, José Manuel Fortes

Cá está, tal como prometido, o segundo fonograma de longa-duração da kridíssima Shila. Desde que postei aqui o “Doce de Shila”, a minha apreciação pela obra da senhora tem crescido a bom ritmo (apesar de ela ainda não ter aceite o meu pedido de amizade no facebook). Há aqui em casa uma parede à espera de um poster da Shila, quem souber onde se arranja diga alguma coisa nos comentários, sff.
Voltando ao disco, vê-se que o primeiro deve ter corrido bem porque, neste segundo, ela ainda cravou mais malta para colaborar – desde gurus intervencionistas como o Zé Mário e o João Loio, ao Raul Mendes (do Mendes Harmónica Trio) e ao Paleka, (seja ele quem for). Até o Chico Buarque não resistiu aos encantos da moça e lhe ofereceu uma canção (Teresinha).
Na composição, a maior parte do trabalho continua a ser do Sérgio Godinho, mas a direcção musical passa agora para as mãos do Júlio Pereira, que vai alternando os arranjos dos temas entre uma inspiração mais tradicional e uma toada mais jazzística, estes últimos, para o meu bico, menos bem conseguidos. Mas aqui há música para todos os gostos: óptimas canções populares de castanholas saltitantes (A Gota da Meadela, Sempre Foi Assim), letras godinhianas ao melhor estilo do respectivo (Cabecinha Fria) e uma excelente canção do José Mário Branco que julgo não estar gravada em mais lado nenhum (Eu Não Tenho a Certeza). E, claro, sobre tudo isto paira ainda a esperança de que a coisa dê a volta e a democracia popular volte a ser possível.
E agora aguentem enquanto vou ali cravar a um amigo o single “O Burro e o Grão” para ficarmos com a mui cobiçável Discografia Completa da Shila!