segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pilar – Pilar (EMI – Valentim de Carvalho, 1989)



sacar

01. Cidade a Arder
02. A Voz
03. Senhora da Noite
04. Lágrima
05. Dentro
06. Lua no Olhar
07. Um Amor Assim
08. Princesa
09. Voz do Mar

Pilar – voz, guitarra eléctrica, guitarra acústica
Mário Laginha – piano, Roland D50, Yamaha DX7 II D, Kurweil
Yuri Daniel – baixo
Mário Barreiros – bateria, caixa de ritmos, guitarra eléctrica
Wayne Shorter – vento, percussão, shaker, Yamaha DX7 II D
Flak – guitarra acústica, guitarra eléctrica
Paulo Neves – caixa de ritmos

produção – Wayne Shorter

A indiferença deste país para com a Pilar é uma das coisas que me dá vontade de deixar de ser português. Como é possível passar ao lado desta mulher? A Pilar ama o 25 de Abril porque lhe permitiu passar a adolescência no Brasil. A Pilar convence o Wayne Shorter a produzir-lhe o primeiro disco e o Caetano Veloso a convidá-la para uma feijoada. A Pilar é casada com um pintor que foi ao Benim iniciar-se nos cultos vodu. E, como se isso não bastasse, os discos dela também não são nada maus. Este primeiro, por exemplo, tem três ou quatro canções capazes de fazer estremecer o mais inamovível coração do mais insensível brutamontes. Já vi homens feitos e barbados com o lábio inferior a tremelicar enquanto ouviam “A Voz”, “Dentro”, “Voz do Mar”, e o inevitável “Um Amor Assim” – favor verificar o teledisco.
Neste LP, a Pilar está luxuosamente acompanhada: para além de Wayne Shorter a produzir, tem Pedro Ayres Magalhães (02.) e Miguel Esteves Cardoso (04., 06.) a escrever, e Laginha e demais malta do jazz a tocar. A música é toda dela, à excepção de 03. e 04., que a Pilar compôs com a ajuda de Nuno Canavarro. Apesar do background jazzístico desta gente, os arranjos são surpreendentemente planantes e sintetizados, evocando por vezes os ambientes etéreos dos Dead Can Dance e chegando mesmo a aproximar-se dos terrenos pantanosos de uma Enya (Armando Teixeira faria um melhor trabalho quando produziu, anos mais tarde, “Não Quero Saber”). Mas a Pilar resiste a tudo isso e mantém acesa a chama cantautoral acima de todos os artifícios. Enquanto esperamos que ela volte de África com mais um disco (estava a gravá-lo há dois anos com músicos senegaleses), é ouvir em loop este primeiro álbum e os três seguintes – sem esquecer o CD ao vivo com a Anamar e a Né Ladeiras.

20 comentários:

Eduardo F. disse...

Chegou a ser editado em cd. Adquiri o meu exemplar, por incrível que pareça, há não muitos meses.

:)

Gosto do som. Aquela transição das décadas. E a voz, sobretudo.

Anónimo disse...

O myspace da Pilar tem uma faixa chamada "Dark Eyed Girl"... está incluída neste álbum?

Eduardo F. disse...

Não, não está.

:)

Discos Com Sono disse...

Mais um post equivocado...
Eduardo, há alguma forma de saber ao certo se determinado disco foi reeditado em CD? Quer dizer, uma base de dados ou coisa do género?

Eduardo F. disse...

É uma boa questão, amigo.

Acho que não existe.

Apenas poderíamos averiguar caso a caso, inquirindo as editoras em questão.

À falta disso, vale apenas o conhecimento: o teu, o meu...

:)

mOta disse...

Entre 1986 e 1989 há vários discos que tinham direito a edição em CD embora a edição principal fosse em vinil. Talvez a partir de '90 a situação passou a inverter-se.

Ainda há pouco vi num leilão da net um disco editado em CD em 85 ou 86 e que curiosamente já tinha sido lançado em CD nessa fase.

Uma edição do blitz dessa época já deve ter uma parte apenas para os CDs.

mOta disse...

A Pilar, a Rita Guerra e o André Sardet por exemplo foram nomes cujo lançamento teve bastante hype mas cujos discos pouco ou nada venderam.

Se não me engano há um tema da pilar que voltará a aparecer no segundo disco. Talvez o "Um Amor Assim" que era um dos temas mais orelhudos conjuntamente com a versão do "Primeiro Dia".

mOta disse...

Inquirindo as editoras? Nem tem dados do que fizeram há uma década quando mais do restante.

Há discos em CD cuja promoção ficou muito a desejar e que as unidades produzidas devem estar num armazém ou foram destruídas. Por exemplo o disco dos Ovelha Negra que vendeu poucas centenas de exemplares. Os discos nunca apareceram muito.

ghost.vinyl disse...

Imagino que não seja o caso, mas normalmente os discos tinham nessa altura informação na contracapa sobre outros formatos (cassete e quando já havia, CD). Provavelmente esta edição em CD foi mais exígua que a edição em Vinil e seria se calhar mais cara também (alguém ligado às editoras dessa altura poderá responder, mas apostava numas 500 cópias?).

Do que me lembro só em 91-93 é que os CDs se impuseram definitivamente... havendo já títulos que começam a deixar de sair em vinil.

Assim teremos alguns CDs do final dos anos 80 mais difíceis de encontrar do que os respectivos LPs... (estou a lembrar-me de pelo menos dois casos a juntar a este =)

Eduardo F. disse...

Parece-me que nos casos de cds da EMI cujo número de catálogo é composto por apenas 6 (ou 7) dígitos se trata de meras transposições de vinil para digital.

Um outro exemplo (que não sei se saiu em vinil) é a compilação dos primeiros anos dos Ban. Também já vi o "Os Dias da Madredeus" nos mesmos moldes.
Talvez as primeiras edições em cd dos discos do Trovante idem aspas.

Não sei se isto é verdade: trata-se apenas de uma regularidade que fui verificando.

Discos Com Sono disse...

ghost.vinyl, é o caso, de facto. Este disco da Pilar diz na contracapa "Também em cassete", por isso é que julguei quase certo não ter sido editado em CD.

ghost.vinyl disse...

Por acaso já estive para comprar este LP várias vezes, mas os 10 euros costumam acabar noutro sítio, é curioso só vir referida a cassete, será que o CD é posterior?...

Não me surpreende que não existam masterizações separadas para CD e Vinil, mas acho estranho fazerem os masters dos CDs a partir do vinil, nos casos de lançamentos simultâneos (nos casos de edições posteriores em CD ainda acredito... foi este o caso do 1º dos Madredeus, certo? )

Eduardo F. disse...

Acho que não me expressei da forma mais unívoca.

O que sei é que a partir de dada altura, os números de catálogo passaram a ser diferentes: com outro formato que os do vinil.

Agora não sei se isso significa que os primeiros tenham sido meras transposições, sem serem masterizados, do vinil para o cd. O que posso afirmar é que, quanto às capas, acho que eram fac-similações de vinis (nalgumas aparecia a "Gráfica Monumental", onde muitos e muitos discos eram impressos...

Eduardo F. disse...

Mas já percebi uma coisa:

aqueles poucos dígitos, dantes apareciam sozinhos. A partir de determinada altura passaram a estar lá na mesma, mas enquadrados com outros, uma espécie de raíz da EMI (exemplos: 7243 ou 0777) e um "sufixo" (2) que diz respeito ao formato do discograma. No caso, 2 indica ser cd.

Penso que noutras editoras também há este "sufixo".
:)

(Puxa, que entender isto pareceu andar a descobrir o sexo aos anjos... )

Abraço a todos os amigos deste quartinho acolhedor.

Luís disse...

Para esclarecimento: a edição em CD deste disco da Pilar ocorreu ainda no ano de 1989. No entanto, salvo erro, parece-me que inicialmente foi editado em vinil e cassete. Mas numa fase imediatamente a seguir apareceu o formato CD. Claro está que devia ter sido editado um número tão reduzido de exemplares que rapidamente desapareceu.
Foi como o "Corsária" da Né Ladeiras.
Eu tive a sorte de ainda os conseguir apanhar, aos dois. :)

Eduardo F. disse...

Muita sorte, Luís!
Tendo tu o Corsário tens uma raridade... nem sabia - lá está a questão inicial...- que existiu em Cd...

:)

Rafael Fraga disse...

Olá a todos,

No site da Fonoteca (de Lisboa) encontra-se um registo relativamente completo das edições em CD de centenas (milhares?) de discos. Será talvez um bom sítio para começar aquando das pesquisas sobre as edições/reedições de música Portuguesa.

Cumprimentos,
Rafael Fraga

Lara Soares disse...

O pintor com quem a Pilar é casada é nada mais nada menos que o Antonio Alonso Martinez! Já alguém aqui ouviu falar? Suponho que poucos...! É que nos anos 80, todo o meio artistico nacional lhe boicotou a carreira! Não interessava aos "génios" nacionais a aparição de um artista autónomo. Há 2 anos atrás expôs no CCB. Alguém ouviu falar disso? Suponho que poucos...! É que a imprensa portuguesa nem sequer o colocou nos roteiros culturais. Que estranho, não? No entanto, há 3 meses atrás toda a imprensa Austríaca falou dele! Porquê? Porque toda Viena estremeceu com apenas 1 (um) dos seus trabalhos expostos nessa capital europeia!

Pois é!

Agora tenho um presentimento de que mais algum país irá estremecer com apenas 1 (um) tema da Pilar!

Se os dois se juntaram não foi por mero acaso. Conheceram-se aos 18 anos de idade. Conhecem-se bem e são cumplices de algo grande que secretamente partilham!

Iremos vêr se Portugal estará à altura de uma amadurecida e reforçada Pilar!

Discos Com Sono disse...

Rafael Fraga: Boa dica. Obrigado!

Lara Soares: Pois é, pois é, pois é.

Antonio Alonso Martinez disse...

SURPRESA!
www.pilarhomemdemelo.com