quinta-feira, 25 de março de 2010

Shila - Doce de Shila (Diapasão, 1977)



sacar

01. Espectáculo
02. Chula
03. Doce de Chila
04. Mais um Filho
05. Entre a Flor e a Enxada
06. Rapa Tira Deixa e Põe
07. Parteira do Mar
08. Dança do Amargar
09. Rosie
10. Gente Assim

Shila – voz, auto-harp, dulcimer, percussão, colheres de pau
Fausto – viola, percussão, coro
Sérgio Godinho – viola, percussão, coro
Paulo Godinho – baixo
Manuel Guerreiro – flauta, saxofone soprano
Rui Monteiro – percussão
Rui Reis – piano
Guilherme Scarpa – bateria, percussão
Rui Cardoso – flauta
Júlio Pereira – viola, baixo, percussão
Carlos Zíngaro – violino
José Luis Simões – viola eléctrica
Eduardo Maia – assobiadoiro
Francisco Fanhais – coro
Geninha Melo e Castro – coro
Carlos Vaz – coro

Arranjos – Sérgio Godinho e Fausto (excepto 05. – Júlio Pereira)
Letras – Sérgio Godinho (01., 02., 03., 04., 06., 07., 08., 10.), popular (02.), Fausto (02.), Júlio Pereira (05.), Reinaldo Ferreira (09.)
Músicas – Sérgio Godinho (01., 03., 04., 06., 07.), popular (02.), Júlio Pereira (05.), Carlos Zíngaro (08., 10.), Fausto (09.)

Nos bons velhos anos setenta, fazer discos devia ser um grandioso forrobodó. Sempre que se queria gravar o belo fonograma (agora é melhor dizer assim, ou ainda não espreitaram a recém-parida Enciclopédia da Música Portuguesa?) era só chamar os amigos e, escreve-me aí uma letra que eu depois escrevo-te outra, faz-me um arranjo que eu depois te faço coros, toca-me aqui um reco-reco que eu depois toco-te uma concertina. O Sérgio Godinho levou a premissa um pouco mais longe, chamou o Fausto, o Júlio Pereira, o Zíngaro, e pediu uma letra, um arranjo e um reco-reco para o disco da namorada. A Shila era uma jovem saltitante vinda do Canadá, diz que boa rapariga, sem saber cantar muito bem mas entusiasta q.b. do ambiente revolucionário da altura e dos artistas que lhe serviam de banda sonora. Vai daí, engaja com o Sérgio Godinho, começa a fazer coros (típico), e enquanto o diabo esfrega o olho, já está a gravar o primeiro LP.
E é um belo LP, este fonograma. Começa um bocadito mal, com uma versão chocha e murcha do Espectáculo (que o Sérgio Godinho gravaria bem melhor dois anos depois, no “Campolide”), mas depois engrena com a Chula, e já ninguém segura a rapariga. A malta do costume faz a festa com bombos e ferrinhos, guitarradas e arranjos de cordas, enquanto a Shila canta naquele sotaque estranho mas esforçado. E ouvindo, por exemplo, “Rapa Tira Deixa e Põe”, há mesmo que lhe dar crédito: nunca uma canadiana enfiou tantas sílabas em tão poucos segundos (mas pronto, raras foram as canadianas que cantaram letras do Sérgio Godinho). Oiço por aí dizer que, na altura, a Shila levou muito nas orelhas, provavelmente da esquerdalha que não gostou de uma anglo-saxónica intrometida na sua revolução privada. Mas digo-vos que foi injusto e que a Shila só merece os nossos aplausos. Aproveitem que estão com a mão na massa e mandem-lhe uma beijoca.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Tão lindo

O João Chambel saiu da sua Pele Vermelha para me vir embonecar o blog. Estejam à vontade para tecer os mais rasgados elogios.