domingo, 28 de fevereiro de 2010

Linha Geral – Linha Geral (Ama Romanta, 1988)



sacar

01. Porque os Outros
02. Dança de Sombras
03. Formas Estranhas
04. Coro Jovem
05. Auto de Fé
06. Sinais no Tempo
07. Ousadia
08. Riscando os Céus

Carlos Manso – voz, guitarras
Fernando Soares – bateria
Tiago Lopes – guitarras
Pedro Alvim – baixo
+
Nuno Rebelo – piano, guitarra, sampler, coros
João Peste – coros

Produção – Nuno Rebelo

Vinte e dois anos passados sobre a sua edição, a sombra que o disco dos Linha Geral continua a estender sobre nós permanece um dos grandes enigmas da música pop feita em Portugal. São uns míseros 21 minutos de canções, uma banda que nem cinco anos durou, quatro músicos de que não se conhece o paradeiro. E todo um país (sim, todo) que sempre que os Linha Geral rodam no gira-discos, se põe de olhar vago não se sabe onde, a suspirar não se sabe porquê. Diz-se que a banda era comuna, revolucionária até, mas a verdade é que, nos Linha Geral, o que se ouve não é o panfletismo marxista do costume; a lírica inflamada e visionária do vocalista Carlos Manso não se compadece dessas coisas, e sempre que canta “a secreta caminhada”, “a hora prometida”, “o gesto decidido”, “o futuro que se anuncia” ou “a ilusão que se desvanece”, os corações atlânticos à beira-mar plantados reverberam de outras coisas que não somente a esperança na sociedade sem classes. Rasgando o rumo do futuro mas deixando-o por nomear, a banda alcança o efeito máximo – é preencher os espaços em branco e fazer a ponte entre a revolta proletária de um José Mário Branco e os sonhos de glória imperial de uns Heróis do Mar. Esta é a música que nos aguenta até ao Advento; seja ele o da Revolução, do Quinto Império ou da Segunda Vinda, o disco que vai estar a rodar nessa altura será o dos Linha Geral.