quinta-feira, 7 de maio de 2009

Tina and The Top Ten – Everslick (Moneyland, 1993)



sacar

01. Everslick
02. The Meeting Parts
03. One Cold Cut

Dr. Top
Johnny “Scratch” Money
Plastic Mimi
Captain M.D.
Falcon D.
+
Rafael Toral – guitarra (01.), piano (02.)

Produção – Rafael Toral

Ainda hoje não é claro quanto dos Tina and The Top Ten era um genuíno exercício de fascínio e emulação da juventude sónica estado-unidense e quanto daquela banda era um comentário cultural irónico herdeiro dos delírios Homeostéticos e afins. É provável que o próprio fundador, o artista plástico João Paulo Feliciano, não saiba responder ao certo, mas afinal sempre foi esse esbatimento de fronteiras entre alta e baixa cultura que teve piada nesta gente. Parece que o Feliciano andava por alturas da fundação da banda a conspirar com os Ases da Paleta (Pedro Portugal, Manuel João Vieira e Fernando Brito, todos ex-homeostéticos) e o conceito de “very first all portuguese fake american rock and roll band” deve-lhe ter parecido uma tradução adequada para o rock do que o grupo fazia nas telas, para além de uma boa oportunidade para rasgar na guitarra e berrar ao microfone.
Este single surge quatro anos após a formação dos TTT, já depois de vários músicos terem entrado e saído, de ter surgido a Moneyland Record$ para editar a produção musical da banda e dos amigos, e de Feliciano ter começado a trabalhar com Rafael Toral, com quem formaria os No Noise Reduction e passararia um curto e atribulado período nos Pop dell’Arte. A música não se pode dizer que surpreenda – é aquilo que os Tina and The Top Ten sempre fizeram, com maior ou menos convicção, e desta vez o sucesso é garantido: parecem americanos, sim senhor. O lado A é bem puxadito, com os berros da Mimi (também Ena Pá 2000, também artista plástica – isto está tudo ligado) a acompanharem os do Feliciano e toda a banda a encarnar na perfeição os corpos astrais dos Sonic Youth. Virando o disco, parecem um pouco menos americanos e um pouco mais ingleses, uma espécie de T. Rex com as guitarras mal afinadas. A coisa termina a abrir com meio minuto de “One Cold Cut”.
Com a aproximação do novo milénio terminaria também assim, um bocado sem jeito, a “cena sónica” iniciada pelos TTT e que teve o seu epicentro nas Caldas da Raínha – um capítulo curioso, ainda que algo inconsequente, da história da música portuguesa nesses malfadados anos 90.

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