quarta-feira, 1 de abril de 2009

Júlio Pereira – Lisboémia (EMI, 1978)



sacar

01. Cabo-Ruivo
02. Alvalade
03. Pr. Chile / Intendente
04. Alfama
05. Rossio
06. Cais do Sodré
07. Bairro Alto
08. Av.da Liberdade
09. Saldanha / Entre-Campos
10. Sete Rios / Belém
11. Lisboémia

Vozes:
narrador – Júlio Pereira
personagens – José Mário Branco, António Portannett, Eugénia Melo e Castro, Mário Viegas, Jaime Queimado, Duarte Mendes, Shila, Ricardo Pais, Lia Gama, Eugénia Bettencourt, José Manuel Osório
coros – G.A.C., Rui Oliveira Vaz, Shila, Jaime Machado, Eugénia Melo e Castro

Músicos:
Júlio Pereira – violas (acústica, espanhola, 6 e 12 cordas) bouzouki, reco-reco, voz, banjo, moog, porta-moedas, pandeireta, guizos, piano, harpa de lata, castanhola
Paulo Godinho – baixo
Jaime Queimado – bombo, caixinha de madeira
João Seixas – maracas, bombo, congas, bongós, pandeireta, adufe
Guilherme Scarpa Inês – madeiras, bombo, tarola, pandeireta, bateria, ferrinhos
Isabel Costenla – castanholas
António Lages – tuba
Isidro Mestre – clarinete
Laureano Martins – flautim
José Luis Simões – trombone
Mário de Jesus – trompete
Hélder Reis – acordeão
Rui Reis – piano eléctrico, moog, piano
Pedro Caldeira Cabral – guitarra
Raul Mendes – harmónica
José Machado – violino
José de Carvalho – vibra-slap
Rui Cardoso – flauta, saxofone
Fernando Júdice – contrabaixo
Fernando Calazans, António Anjos, Manuel Gomes, Ilídio Gomes, Floriana Oliveira, Leonor Moreira, Kevin Vauham, Rogério Gomes – violinos
Teresa Portugal, João Murcho – violoncelos

direcção de produção – Júlio Pereira
capa e ilustrações – Carlos Zíngaro

Parece que o Júlio Pereira já não se revê nos primeiros discos que gravou em nome próprio, este e o “Fernandinho Vai ao Vinho”, e por isso não deixou a boa gente do Do Tempo do Vinil reeditá-los em CD. Enfim, não será por isso que não o vamos ouvir. “Lisboémia” é uma espécie de roteiro da indigência reinante na capital durante os anos 70, uma cidade onde aparentemente não se fazia grande coisa para além de beber nas tascas, ir ao Parque Mayer e às putas, consumir droga e andar à porrada de vez em quando. É o que se chama os bons velhos tempos. Ou nem tanto, porque parece que toda aquela gente não tinha um chavo e a ressaca de revolução não lhes estava a fazer bem à cabeça nem à vidinha. Uma bad trip lixada, e a tal boémia surge então como antídoto para os amanhãs que cantam idos pelo cano abaixo. Será que percebi a ideia, Júlio? Diz qualquer coisa.
Há neste disco uma multidão de gente: actores para dar voz aos personagens castiços, músicos em barda, o G.A.C. a fazer coros, o Zíngaro a fazer a capa e as magníficas ilustrações no interior (saudades das ilustrações do Zíngaro). Há fadunchos, marchas, ecos da música tradicional, a guitarra do Pedro Caldeira Cabral, tudo a servir retratos da borga em vários bairros lisboetas. E há o próprio Júlio Pereira a cantar, coisa que nunca mais fez desde então – até há quem diga que o disco não é reeditado porque ele não gosta de se ouvir. Ou é isso ou são aquelas imitações de ciganos, gays e pretos, que hoje soariam muito politicamente incorrectas.
Já agora, os canais esquerdo e direito pareciam-me desequilibrados e estive a mexer naquilo. Desconfio que fiz disparate, porque agora soa-me esquisito. Digam da vossa justiça – se estiver muito mal faço um ripanço novo. Ah, e obrigado ao amigo Rui pelo empréstimo do Lisboémia e de mais alguns que aqui apareceram.

5 comentários:

Anónimo disse...

Pelo menos por momentos não está a dar para sacar.
Cumprimentos
Ricardo

Anónimo disse...
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João disse...

ora o nosso júlio já cantava no "fernandinho vai ao vinho" e ainda reincidiu depois no "mãos de fada". alias o maos de fada é um notavel disco que merecia aqui estar aqui, nem que fosse pelo seguinte verso: Quem vai andar por aí/por aí vai num ancinho (???)

Discos Com Sono disse...

Pois, sabia que ele cantava no Fernandinho (que é anterior a este, certo?). Agora isso de cantar no Mãos de Fada é que não sabia. Aliás não conheço o disco, e urge que alguém mo empreste para o submeter ao Procedimento. Tê-lo-ás por aí, Lucas?

Koen Heene disse...

Eu também estou a procura do disco Mãos de Fada já muito tempo. Se alguém pudesse empresta-me-lo agradecia!