terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Carlos Maria Trindade – Princesa / Em Campo Aberto (Vimúsica, 1982)



sacar

01. Princesa
02. Em Campo Aberto

Produção – Manuel Cardoso e Carlos Maria Trindade

Peço desculpa pela falta de informação adicional, mas este disco de Carlos Maria Trindade, a primeira aventura a solo de um Herói do Mar, é um poço de mistérios. Nem uma ficha técnica na contracapa, nem uma folhinha no interior. Nada. Cuscando pela net, percebe-se alguma coisa: Carlos Maria Trindade fez este single e ainda um élepê, que se ia chamar Tédio e ser editado por esta editora, a Vimúsica. Diz o precioso site Anos80 que a editora representava a Factory em Portugal, que a Factory lhe causou diversos “problemas” e que o chefe da Vimúsica acabou por se escapulir para o Canadá, pondo fim ao negócio discográfico. Em consequência, diz o site, o élepê do pobre Carlos Maria foi DESTRUÍDO!, o que me parece um pouco dramático: talvez tenha ficado só por editar, ou num armazém sem ser distribuído. O pobre Carlos Maria, contudo, conseguiu antes disso editar este single em que, depreende-se, toca coisas electrónicas e canta (!!!). Digo depreende-se porque não há informação do disco ter contado com mais colaborações.
Quanto à música, é uma lança certeira nas modas neo-românticas e cold-electro-nãoseiquemais que vingavam em Inglaterra e fascinavam a juventude portuguesa da altura, chegando a lembrar uns Human League dos primórdios, mas menos amaricados. Há menos afectação camp e mais inspiração bucólico-épica devedora aos primeiros trabalhos dos Heróis do Mar. “Em Campo Aberto” assinala ainda o surgimento das electrónicas planantes na obra do pobre Carlos Maria, que bem mais tarde desceria com elas ao inferno da música new-age, para mal da saúde auditiva de todos nós. Mas não me vou alongar nas críticas nem xingar o disco, porque é um disco decente. Saquem, que é giro.

8 comentários:

Pedro Homero disse...

a) obrigado por este e muitos outros tesouros da música portuguesa.

b) obrigado por usares o mediafire, e não sites de m*rda, como o rapishare e assim.

c) por favor continua, o teu trabalho é muito apreciado!

d) tens o cd de duplex longa? eu tinha-o há uns anos, mas não sei a quem o emprestei, e lá foi, lá foi... obrigado por adiantado!

Discos Com Sono disse...

Olá Pedro, obrigado pelas palavras simpáticas. Este blogue é só de vinil, por isso não vou postar os Duplex Longa. Mas posso deixar aqui o link para quem quiser:
http://www.mediafire.com/?nmhtmwtylgn

Angelo disse...

Parabens pelo blog tem sido util na recuperação de objectos perdidos.
Na verdade anda há procura de um objecto perdido à mt tempo:
o sg dos mler if do "amour va bien merci" que tinha no lado b uma cover do tema celebrizado pela madalena iglésias. será que és tu quem o vais arranjar. era uma boa prenda de natal, já agora boas festas

Pedro Homero disse...

Parvoíce a minha, ignora por favor a menção aos D. Longa no post do P. A. M. - não me tinha lembrado de vir ver se tinhas respondido aqui. É o que dá, comentar em demasiados blogs. Obrigado de novo!

Pedro Homero disse...

Calma lá, que ainda não falei deste single: eu e um amigo ouvi-mo-lo, não desgostámos do lado B, não senhor, mas o lado A é incrível!! Ouvimos a música em loop umas 10 vezes, no mínimo! Mesmo boa, e a letra também, e isso q, já entrado na casa dos 30, não ligo para letras, em geral.

pt.m disse...

A Factory não lhe causou problemas eles é que não pagaram os direitos à Factory. Na net há vários textos do Tony Wilson a queixar-se dos portugueses com quem trabalhou.

Lembro-me que numa das primeiras "Dona Rosa" (Blitz) terem falado deste disco e inclusive ilustraram a página com uma das fotografias de promoção para esse álbum (que não sei se sequer chegou a ser gravado).

pt.m disse...

A imagem é a que está no site

http://anos80.no.sapo.pt/carlosmariatrindade.htm

Discos Com Sono disse...

pt.m, obrigado pelos esclarecimentos. um abraço.