terça-feira, 26 de agosto de 2008

Osso Exótico - II (Carbo, 1991)



sacar

01. The Mistery of Hours
02.
03.
04.
05. Season
06. World, Oblivion
07. The Mistery of Hours
08. Depósito de
09. Depósito de
10. Depósito de
11. Depósito de
12. Word, Hour
13. Season
14. Humus Hail
15.

David Maranha – voz, violino, guitarra acústica, marimba africana, bateria, rototons, marimba israelita, violoncelo, bolas chinesas, pandeireta, água, acordeão, ukelele, harmónica, madeira, bombo, kalimba, maraca
Patrícia Machás – voz, bandolim, pandeireta, acordeão, marimba israelita
Bernardo Devlin – voz, flauta chinesa, harmónica de vidro, marimba israelita
André Maranha – garrafas afinadas (sopradas), guitarra de 12 cordas (tocada com arco), voz, acordeão, violino
Oliver Vogt – clarinete baixo, saxofones tenor e alto, marimba israelita, voz, acordeão
+
Sei Miguel – trompete de bolso (03.)
Fala Mariam – trombone (03.)
Xana Couceiro – voz (05.)
Alfredo – (15.)

Gravação e mistura – David Maranha

O xinfrim de percussão que abre este segundo LP dos Osso Exótico parece indicar que “II” seguiria os passos do seu antecessor, um disco que vagueava pelos territórios do pop industrial (se é que alguma vez houve disso em Portugal) carregado de experimentalismo e de uma boa dose de electricidade. Mas é sol de pouca dura, porque poucos segundos depois ficamos a saber que os meninos dos Osso Exótico estão a ficar crescidos: neste disco, recorrem exclusivamente a instrumentos acústicos, a uma maior economia de meios em cada tema, explorando com cuidado certos timbres e texturas e criando um ambiente geral mais discreto e intimista.
Bernardo Devlin continua a cantar, ora lembrando uma Linda Blair endemoninhada, ora assemelhando-se a um João Peste com qualquer coisa atravessada na garganta (de notar que nenhuma destas comparações é necessariamente negativa), tornando-se no principal elo de ligação com o disco anterior e no principal ponto de ruptura com a obra posterior da banda (Devlin deixaria os Osso Exótico após o terceiro disco). Este é também o disco que assinala a entrada de Patrícia Machás nos Osso Exótico, onde permanece até hoje juntamente com os irmãos Maranha.
“II” acaba por ser essencialmente um disco de transição, em que começamos a vislumbrar os caminhos que os Osso Exótico seguiriam no futuro, e a perceber que seria necessária muito atenção e paciência para apreciar a sua obra posterior, atenção e paciência que (dizem) acaba por ser largamente recompensada. É também, julgo eu, o disco com tiragem mais limitada, numa edição numerada de 350 exemplares. Daqui em diante, a edição em CD e a maior facilidade de distribuição no estrangeiro fez com que os Osso Exótico fossem das primeiras bandas portuguesas a ser reconhecida internacionalmente – uma espécie de Madredeus do drone lusitano, por assim dizer.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

K4 Quadrado Azul - K4 Quadrado Azul (Ed. Autor, 1990)



sacar

1. Paramessalina
2. Quinhentista
3. Falência do Amor
4. Babilónia

Fernando Faustino - voz e coros
João Miguel - guitarra, voz em 2., coros e sampler
Pedro Eloy - piano, sintetizador, coros e sampler
Luís Ferreira - guitarra eléctrica, guitarra de 11 cordas e coros
Hernãni Costeira - baixo eléctrico e coros
Rui Dâmaso - bateria e percussões electrónicas

Capa - João Garcia Miguel
Som - Zé Carrapa
Mistura - Cajó e Carrapa
Produção - K4 / Can I Eat Your Cheese

Houve ali um período de dois ou três anos, a partir de ‘89 ou ‘90, em que os K4 Quadrado Azul foram a melhor banda de rock portuguesa e muito provavelmente do mundo inteiro. Aqueles concertos com as guitarras a derreterem-se todas em distorção e riffs ácidos do melhor que há, as vozes a sobreporem-se à vez, berradas de impulso, o volume quase a rebentar os tímpanos e o ar vagamente paranóico e seguramente janado do vocalista Faustino, criavam uma sensação entre a tontura e o arrebatamento, bem sugerida num dos toscos mas deliciosos telediscos que a equipa do Pop-Off criou para a banda: um dos elementos dos K4 a debater-se numa espiral que o parecia arrastar aos poucos para os recantos mais obscuros dos seus próprios neurónios fritos.
Os K4 formaram-se a partir dos restos dos Aix La Chapelle em 1986, salvo erro, e passaram os primeiros anos a tocar mais de mansinho, sem rasgar muito nas guitarras e baseando-se mais em vozes e coros, debitando toneladas de referências literárias por verso. Foi assim que ganharam o concurso Novos Valores da Cultura em 1988, um dinheirinho que lhes deu para pagar metade da gravação e edição deste disco.
Dois anos mais tarde, lá surgiu ele, em edição de autor, só com quatro músicas, e já depois da banda ter começado a rockar como deve ser. Mas a verdade é que o disco, para além de ser curto, parece que foi gravado de manhãzinha antes da banda tomar café, e dá uma parca ideia do que eram os K4 ao vivo. Embora dê vontade de tocar em 45 rotações, para ver se a coisa fica mais parecida, não há como tirar o mérito ao grande tema que é “Falência do Amor”, a faixa onde os K4 conseguem concretizar melhor a sua pujança mastodôntica. “Quinhentista” também tem piada, mas é mais típica da fase anterior da banda, com as vozes em primeiro plano, e não comunga propriamente do espírito do roquenrol.
Pela mesma altura editam ainda um par de temas na colectânea Feedback, grandes temas que eram, Jardineiro e Tudo É Meu, mas a qualidade do som era muito bera e, na realidade, tratava-se apenas de uma demo passada para o vinil.
E finaram-se ingloriamente uns dois anos depois, ou coisa que o valha, nunca chegando a concretizar a prometida gravação de um LP e passando assim ao lado de um dos grandes discos da música a abrir feitos por estas bandas. É assim a vida.