domingo, 6 de abril de 2008

Janita Salomé – Olho de Fogo (Transmedia/Schiu!, 1987)



sacar

1. Os Amantes
2. Estrela Cadente
3. Poema
4. Azul Branco
5. Senhora do Almortão
6. Ao Passar Junto da Vide
7. O Zéfiro e a Chuva
8. Saias do Freixo em Gibraltar
9. Quando a Luz Fechou os Olhos
10. Cantata

João Lucas – piano, sintetizadores
José Peixoto – baixo, guitarra, percussão, sintetizadores
Irene Lima – violoncelo
Carlos Zíngaro – violino
José Mário Branco – percussão, sintetizadores
Janita Salomé – voz, taarija, adufe, bendir, darbuka
Vitorino - voz
Fernando Flores – contrabaixo
António Serafim – oboé
Tomás Pimentel – trompete, flugelhorn
José Carapeto – trompete
José Oliveira – trombone
José Martins – percussão, sintetizador
Paulo Curado – saxofone, flauta
Mónica Lapa – sapateado
Júlio Pereira – viola braguesa
Fernando Júdice – baixo
Acácio Pestana – trompa
A. Costa – trompa

De entre as pilhas de vinil português nunca reeditado, Olho de Fogo é com certeza um dos mais injustamente esquecidos, ao ponto de dar vontade de procurar os responsáveis por tamanha inépcia e pregar-lhes um par de estalos na cara. Em conjunto com A Cantar ao Sol e Lavrar em Teu Peito, é um dos discos em que Janita melhor explora o cruzamento entre a música alentejana e a do Norte de África, tornando-o numa espécie de tratado sonoro sobre a influência berbere no Alentejo. E, se bem que a tese esteja longe de ser consensual (ver, por exemplo, aqui)
, Janita é bastante eloquente a enunciá-la. Há que ouvir a versão fantasmagórica da Senhora do Almortão, com arranjos de Constança Capdeville, as Saias do Freixo em Gibraltar acompanhadas pelo sapateado de Mónica Lapa, o piano de João Lucas que acompanha Os Amantes, ou a combinação de sintetizadores e percussão berbere em Ao Passar Junto da Vide, para perceber que Janita Salomé estava aqui nos píncaros da criatividade, sem medo de misturar e explorar o que lhe desse na gana, sabendo que a música de raiz tradicional pode continuar a ter as raízes na tradição sem que os ramos se deixem de multiplicar em imprevistas direcções. No fundo, e independentemente das pretensões didácticas que Janita pudesse ter nestes discos do Alentejo árabe, o que fica não é o veredicto etnomusicológico sobre as origens da música alentejana, mas o prazer de ouvir um dos melhores discos feitos em Portugal.

10 comentários:

Anónimo disse...

Muito, muito Obrigado.

a vida tranquila disse...

Oh, eu tambem agradeço, aguardo com sono os proximos discos,rejubilo com a melancolia vinílica, horrorizo-me, enfim, o mundo é ainda mais vasto. E abraço.

escuta disse...

Verdadeiro serviço público sim. Parabéns pelo blog e muito obrigado pelo Janita (que tenho em vinil e nunca consegui digitalizar em condições).
Ah, e bom texto...

Anónimo disse...

O meu MUITO OBRIGADO! Tenho o vinil desde 87 e já está um bocado cansado...

Zerius

nelio de sousa disse...

Viva.

Agradeço este serviço melómano, que faço questão de divulgar.

http://olhodefogo.blogspot.com/2009/02/irmandade-do-fogo.html

Saudações.

Discos Com Sono disse...

Olá, Nelio de Sousa! Obrigado pela divulgação no teu blog!

Eduardo F. disse...

Muito bem escrito!

Hei-de publicar uma canção no Georden.
Obrigado.

Tatiana Carvalho disse...

INcrivel, estava à procura do disco dos Clube Naval (na verdade do Prof Xavier) pois perdi este mp3 há uns tempos, e encontrei este blog. Posto isto, de rajada encontro o Ocidente Infernal, e agora este album que contem o "ao passar junto da vide", tudo discos nao existentes em CD. E ainda só estou no vosso blog há 5 minutos :) Muito obrigado, como já li aqui, isto é serviço publico , vocês são fantasticos.

António disse...

"Invalid or Deleted File
The key you provided for file download was invalid. This is usually caused because the file is no longer stored on Mediafire. This occurs when the file is removed by the originating user or Mediafire."

volta lá a fazer o upload a este disco! obrigado

Laura Garcez disse...

Um par de estalos será suficiente?