
sacar
01. Lisboa (Quem Quer Comprar um Ferrari)
02. Televisão
03. Kayatronic
04. Férias
05. Clandestinidade
06. Maria
07. Bombista
08. Amor de Guichet
Falso Alarme [Paulo Pedro Gonçalves] – guitarra, voz
Carlos Maria [Carlos Maria Trindade] – órgão, voz
Choque Eléctrico [Rui Freire] – sintetizador, voz
Dedos Aires [Pedro Ayres Magalhães] – baixo, voz
Flash Gordon [Emanuel Ramalho] – bateria, percussão, voz
Ultravioleta [Carlos Gonçalves] – voz principal
produção – João Henrique e António Sérgio
Clássico entre os clássicos dos discos presos ao vinil, o LP dos Corpo Diplomático continua a fazer correr tinta aos analistas da história rock nacional e a emagrecer os bolsos dos coleccionadores que se esmifram por um exemplar. Não queria usar o irritante adjectivo “meteórico” (até porque me lembra meteorismo, e não me quero lembrar de meteorismo quando oiço os Corpo Diplomático) mas que outra coisa dizer de uma banda que durou pouco mais de um ano, editou um single e um LP, deu dois ou três concertos, e continua a soar como mais nenhuma?
Os Corpo Diplomático surgem em 1979, logo depois de Paulo Pedro Gonçalves e Pedro Ayres Magalhães enterrarem os Faíscas – dizem os compêndios que foi a primeira banda punk portuguesa – e reconverterem a energia crua do punk em electricidade espasmódica new-wave. E o facto é que, actualmente, quem fala sobre Corpo Diplomático quase não tem outro assunto senão sublinhar que mais new wave não podiam ser. Ora, se é verdade que a carapuça lhes serve, há um mar de distância entre este new wave e o de outras bandas que, poucos anos depois, foram assim rotuladas (Táxi, por exemplo) quando seguiram à risca a cartilha dos Blondie ou os riffs mais óbvios dos Talking Heads. Os Corpo Diplomático podiam sê-lo, mas o seu new wave só encontra reflexo no dos Pere Ubu ou dos Devo dos primórdios, ou seja, nas bandas new wave que ainda não sabiam que o eram e que, por isso, encontravam nesse limbo um espaço de liberdade. Se o tempo do rock corresse com alguma lógica, ao álbum do Corpo Diplomático não se teria seguido o boom do rock português, mas a cena da Música Moderna Portuguesa da segunda metade dos ‘80s, que seguiu o mesmo impulso criativo alimentado a claustrofobia e ressentimento.
Não era por acaso que Kayatronic – o mais alienígena e inquietante tema de “Música Moderna” – passava com insistência nos programas de música portuguesa da Rádio Universidade Tejo, entre maquetas dos Melleril de Nembutal e os primeiros discos dos Pop dell’ Arte – era uma invocação dos antepassados mortos, uma tentativa de absorver a gosma cósmica da subversão que uma meia dúzia de tipos com nomes ridículos pusera a circular no éter uma década antes.
01. Lisboa (Quem Quer Comprar um Ferrari)
02. Televisão
03. Kayatronic
04. Férias
05. Clandestinidade
06. Maria
07. Bombista
08. Amor de Guichet
Falso Alarme [Paulo Pedro Gonçalves] – guitarra, voz
Carlos Maria [Carlos Maria Trindade] – órgão, voz
Choque Eléctrico [Rui Freire] – sintetizador, voz
Dedos Aires [Pedro Ayres Magalhães] – baixo, voz
Flash Gordon [Emanuel Ramalho] – bateria, percussão, voz
Ultravioleta [Carlos Gonçalves] – voz principal
produção – João Henrique e António Sérgio
Clássico entre os clássicos dos discos presos ao vinil, o LP dos Corpo Diplomático continua a fazer correr tinta aos analistas da história rock nacional e a emagrecer os bolsos dos coleccionadores que se esmifram por um exemplar. Não queria usar o irritante adjectivo “meteórico” (até porque me lembra meteorismo, e não me quero lembrar de meteorismo quando oiço os Corpo Diplomático) mas que outra coisa dizer de uma banda que durou pouco mais de um ano, editou um single e um LP, deu dois ou três concertos, e continua a soar como mais nenhuma?
Os Corpo Diplomático surgem em 1979, logo depois de Paulo Pedro Gonçalves e Pedro Ayres Magalhães enterrarem os Faíscas – dizem os compêndios que foi a primeira banda punk portuguesa – e reconverterem a energia crua do punk em electricidade espasmódica new-wave. E o facto é que, actualmente, quem fala sobre Corpo Diplomático quase não tem outro assunto senão sublinhar que mais new wave não podiam ser. Ora, se é verdade que a carapuça lhes serve, há um mar de distância entre este new wave e o de outras bandas que, poucos anos depois, foram assim rotuladas (Táxi, por exemplo) quando seguiram à risca a cartilha dos Blondie ou os riffs mais óbvios dos Talking Heads. Os Corpo Diplomático podiam sê-lo, mas o seu new wave só encontra reflexo no dos Pere Ubu ou dos Devo dos primórdios, ou seja, nas bandas new wave que ainda não sabiam que o eram e que, por isso, encontravam nesse limbo um espaço de liberdade. Se o tempo do rock corresse com alguma lógica, ao álbum do Corpo Diplomático não se teria seguido o boom do rock português, mas a cena da Música Moderna Portuguesa da segunda metade dos ‘80s, que seguiu o mesmo impulso criativo alimentado a claustrofobia e ressentimento.
Não era por acaso que Kayatronic – o mais alienígena e inquietante tema de “Música Moderna” – passava com insistência nos programas de música portuguesa da Rádio Universidade Tejo, entre maquetas dos Melleril de Nembutal e os primeiros discos dos Pop dell’ Arte – era uma invocação dos antepassados mortos, uma tentativa de absorver a gosma cósmica da subversão que uma meia dúzia de tipos com nomes ridículos pusera a circular no éter uma década antes.
























